QUEM SOU COMO PROFESSOR APRENDIZ?
Ser professor hoje é uma tarefa bem difícil, mas prazerosa, pois precisamos nos dedicar, e muito, aos estudos, a pesquisa, ao nosso desenvolvimento profissional e aos alunos. A profissão docente é uma das mais difíceis, pois temos desafios todos os dias, como ensinar o aluno a pensar, a pesquisar, etc.
Como toda a sociedade o trabalho realizado pelos docentes sofreu profundas alterações nos últimos anos. As bases para as transformações estão na própria evolução vivida no mundo. E não apenas tecnológica, mas também de comportamento, pedagógica, na administração do ensino, no comportamento dos alunos e no reconhecimento pelo trabalho.
Com os baixos salários oferecidos no Brasil, poucos jovens acabam seguindo a carreira. Outro problema é que professores com alto nível de educação acabam deixando a profissão em busca de melhores salários.
Em outra situação, ser professor tem sido mais uma vivencia de dor do que de dom. A violência nas Escolas ultrapassou todos os limites. Os alunos em geral têm uma grande noção sobre os seus direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente, dando-lhes a liberdade no ambiente escolar. No final a violência sobra para todos os membros da comunidade escolar. As pessoas não entendem que junto com o direito vem o dever da obrigação e do respeito humano. Porém nem os pais de alunos e muito menos os alunos entendem essa dinâmica social. Outra dificuldade que os professores encontram é que muitos destes são especialistas em uma área e lecionam em uma outra, devido a falta de professores.Ou seja, são professores que se formaram em outras áreas e estão nas salas de aula, ensinando coisas que não estudaram na graduação. Apesar de todos esses aspectos negativos que envolvem a classe docente, ser professor deve ser muito mais um dom que a própria dor.
Ser professor hoje é viver intensamente o seu tempo com consciência e sensibilidade. Não se pode imaginar um futuro para a humanidade sem educadores. Os educadores, numa visão emancipadora, não só transformam a informação em conhecimento e em consciência crítica, mas também formam pessoas.
De acordo com a entrevista concedida pelo Antônio Nóvoa, ainda tem muito que fazer pela educação em nosso país. O educador é um ser complexo e limitado, mas sua postura pode contribuir para reforçar que vale a pena aprender, que a vida tem mais aspectos positivos que negativos, que o ser humano está evoluindo, que pode realizar-se cada vez mais. Pode ser luz no meio de visões derrotistas, negativistas, muito enraizadas em sociedades dependentes como a nossa.
Vejo hoje o educador como um orientador, um sinalizador de possibilidades onde ele também está envolvido, onde ele se coloca como um dos exemplos das contradições e da capacidade de superação que todos possuem.
Numa sociedade em mudança acelerada, além da competência intelectual, do saber específico, é importante termos muitas pessoas que nos sinalizem com formas concretas de compreensão do mundo, de aprendizagem experimentada de novos caminhos, de testemunhos vivos.
Cada vez mais precisamos de educadores-luz, sinalizadores de caminhos, testemunhos vivos de formas concretas de realização humana, de integração progressiva, seres imperfeitos que vão evoluindo, humanizando-se, tornando-se mais simples e profundos ao mesmo tempo.
Para Nóvoa, o trabalho em equipe faz a diferença, e, ele insiste em dizer que falta esta aproximação entre os professores.
Ser professor hoje nesse contexto requer equilíbrio, tolerância e, principalmente, controle emocional. Deparam-nos por um lado com situações deprimentes: alunos intolerantes, violentos, sem perspectiva de futuro. Por outro lado, professores insatisfeitos, incompreendidos por uma sociedade que pensa em um professor perfeito, sem falhas, um herói, o qual não pode ter nenhum tipo de problema. Tudo à mercê de um sistema que prende as mãos e a cabeça. Nós, educadores, estamos sujeitos a situações constrangedoras, como sermos agredidos moral e fisicamente, ou até sermos mortos.
Fico triste quando alguém diz "se não está satisfeita, peça demissão", isso é o mesmo que dizer que as pessoas não devem lutar pelos seus direitos e se acorvadar diante dos desmandos de alguns. Não só a educação, mas todos têm que lutar e cobrar melhorias nos setores que prestam serviços à sociedade.
Não temos o que comemorar, mas, devemos pensar, enquanto professores, que preparamos para a vida e que professores marcam, para toda a vida. Para muitos governantes a educação representa apenas números de matrículas. Devemos tomar cuidado, pois é a nossa integridade que serve de fundamento à construção da identidade cidadã de nossos alunos.